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Quanto Custa Automatizar um Processo na Empresa (e o Que a Proposta Não Te Conta)

A proposta veio com R$ 45 mil. O projeto fechou em R$ 78 mil. Anatomia de um orçamento real de automação: o que está incluso, o que vai chegar depois e as 7 perguntas que você precisa fazer antes de assinar.

Quanto Custa Automatizar um Processo na Empresa (e o Que a Proposta Não Te Conta)

O gestor de operações olhou para a proposta, viu R$ 45.000 e achou razoável. Seis meses depois, o projeto tinha custado R$ 78.000 e ainda não estava em produção. Os R$ 33.000 de diferença? Foram chegando em parcelas pequenas: uma reunião de realinhamento aqui, um ajuste de escopo ali, uma integração com o ERP que "não estava prevista no contrato original".

Três semanas depois de assinar, o gestor já tinha aprovado a primeira ordem de mudança. Nenhuma delas estava no contrato.


Por que a proposta que você recebeu parece mais barata do que vai custar

Uma proposta de automação tem um custo visível e um custo real. O custo visível é o que está escrito no documento. O custo real é a soma do que está escrito com tudo que o fornecedor não mencionou, seja por omissão deliberada ou por limitação de escopo legítima.

Uma empresa brasileira documentada pela Mind Group orçou R$ 850 mil para um projeto de integração e ERP. Ao final de 18 meses, a conta chegou a R$ 2,2 milhões. Os R$ 1,35 milhão de diferença vieram de customizações fiscais, módulos não previstos e integrações que só apareceram durante a implantação.

Esse caso é de grande porte, mas o mecanismo é idêntico em projetos de R$ 40 mil. A proposta cobre o desenvolvimento do fluxo principal. O que fica de fora são: integração com sistemas legados, ajustes depois da homologação, manutenção do fluxo em produção e o tempo da sua equipe interna no projeto.

A questão não é que o fornecedor esteja mentindo. É que a proposta descreve o produto que ele vai entregar, não o custo total que você vai ter.


Custo 1: mapeamento de processo e quem paga o tempo da sua equipe

Antes de qualquer linha de código, todo projeto de automação precisa de mapeamento. Quem faz esse mapeamento na prática é a equipe interna da empresa: o analista de processos, o gestor de operações, o coordenador que conhece as exceções do sistema.

Na prática, isso significa que o analista que você já paga vai passar 60, 80, às vezes 100 horas em reuniões que não aparecem em nenhuma linha da proposta. Com custo-hora em torno de R$ 22, são facilmente R$ 2.000 que saem do seu caixa sem que ninguém tenha emitido nota fiscal para isso.

Mas o problema não é só o custo direto. É o custo de oportunidade. Durante as semanas em que esse analista está em reuniões de mapeamento e rodadas de homologação, o trabalho dele para. O processo que ele tocava fica mais lento ou vai para outra pessoa absorver.

Essa conta raramente aparece em planilha de ROI de automação. E ela nunca entra no slide de apresentação do fornecedor.


Custo 2: licenças de ferramentas e o gasto que cresce todo mês sem avisar

Segundo pesquisa da HfS Research, licenças de software representam apenas 25% a 30% do custo total de propriedade de um projeto de RPA. Os outros 70% a 75% vão para desenvolvimento, infraestrutura, treinamento e manutenção.

Na prática, o que isso significa para uma empresa brasileira? Uma proposta de R$ 45.000 pode incluir um software de automação que custa R$ 800 por mês de licença. Esse custo começa na assinatura e não para. No primeiro ano, são R$ 9.600 só de licença, que não estão no valor do projeto mas saem do caixa todo mês.

Ferramentas de automação cobram por 'workers' em produção: cada robô rodando simultâneo é uma linha a mais na fatura. Se o volume cresce, você não liga para o fornecedor pedindo desconto: você assina mais um worker. É o modelo deles. Saber disso antes muda o que você pergunta na negociação.

Para empresas com sistemas legados como TOTVS, Senior ou Sankhya, o custo de integração costuma ficar entre 80% e 150% do valor da licença anual, como custo adicional ao projeto base. Esse número vem da experiência de mercado documentada pela Mind Group em projetos com ERP brasileiro de médio porte.


Custo 3: manutenção e retrabalho quando o processo muda (e ele vai mudar)

Em todas as conversas que tivemos com clientes depois do go-live, esse é o custo que aparece como surpresa.

Uma cliente nossa tinha automatizado o faturamento em março. Em agosto, o fornecedor de ERP atualizou o layout de exportação. O bot parou. O conserto custou 40% do valor original do projeto.

Processos de negócio mudam. Muda a política comercial, muda o fornecedor, muda o ERP, muda o layout do portal bancário que o bot acessa. Cada mudança no processo real quebra a automação que foi construída para o processo anterior.

Estudos do setor apontam que 40% a 60% do ciclo de vida de um projeto de RPA é gasto em manutenção, não em desenvolvimento novo. E a manutenção anual costuma custar entre 15% e 20% do valor investido no projeto inicial. Em um projeto de R$ 45.000, isso são R$ 6.750 a R$ 9.000 por ano só para manter o que já existe funcionando.

O problema é que essa manutenção não é linear. Uma mudança de processo seis meses após o go-live pode custar de 30% a 70% do valor original do projeto para readequar a automação. Se a sua operação muda frequentemente, o ROI do projeto muda junto.

Das propostas que revisamos com clientes nos últimos 18 meses, nenhuma abordou esse risco em cláusula explícita. O fornecedor entrega o que foi contratado. O que acontece depois do go-live quando o processo muda é, no melhor caso, previsto em cláusula de "horas de suporte" com custo adicional, ou simplesmente não está no escopo.

A pergunta certa a fazer antes de assinar: se meu processo mudar em seis meses, quanto vou pagar para readequar a automação?


Custo 4: treinamento e resistência interna, o custo humano que ninguém precifica

A automação entra em produção. Os fluxos estão funcionando. E aí o processo trava porque a equipe não sabe o que fazer quando o bot encontra um caso que ele não reconhece.

Todo processo automatizado tem exceções. Pedido com dados incompletos, nota fiscal com formato diferente, cliente que usa um campo do formulário de forma inesperada. O bot não sabe o que fazer com esses casos, e alguém precisa saber. Se a equipe não foi treinada para isso, as exceções viram gargalo manual.

Além do treinamento técnico, existe o custo da resistência. Pessoas que faziam um processo manual há anos precisam confiar na automação para não interferir nela. Esse alinhamento exige reuniões de alinhamento com a equipe, horas do gestor que poderiam ir para outras entregas e, às vezes, mudança de função para quem fazia o processo manualmente. Custos de middleware, programas de treinamento e overhead de ajuste operacional frequentemente adicionam 15% a 25% ao custo estimado de um projeto de automação, segundo análise da SmartDev.

Na nossa experiência com clientes, o treinamento de exceções costuma ser negligenciado no escopo do fornecedor porque é difícil de precificar e depende de fatores internos que o fornecedor não controla. O resultado é uma automação que funciona bem em 85% dos casos e gera pilha manual nos outros 15%.


Como montar sua própria planilha de custo total antes de fechar negócio

Antes de comparar propostas, monte uma planilha com quatro colunas: custo do fornecedor, custo interno, custo recorrente anual e custo de risco.

Custo do fornecedor: o valor do projeto mais licenças do primeiro ano. Isso está na proposta.

Custo interno: estime o número de horas que sua equipe vai gastar em reuniões de mapeamento, validação e homologação. Multiplique pelo custo-hora do profissional envolvido. Adicione o custo de oportunidade se esse profissional precisar desacelerar outras entregas.

Custo recorrente anual: some licenças mensais x 12, mais a estimativa de manutenção (peça ao fornecedor o custo-hora para alterações e estime quantas horas por ano você vai precisar com base na frequência de mudanças do processo).

Custo de risco: pergunte ao fornecedor o custo de um readequamento se o processo mudar substancialmente. Se ele não souber responder ou disser que depende, registre um percentual conservador do valor do projeto como reserva.

Com essa planilha, você consegue comparar propostas de R$ 40.000 e R$ 60.000 de forma honesta. A proposta mais cara no ano 1 pode ser 30% mais barata no acumulado de três anos se incluir mais manutenção no escopo.


As 7 perguntas que todo gestor deve fazer ao fornecedor antes de assinar qualquer proposta de automação

Faça essas perguntas antes de assinar. Se o fornecedor hesitar em qualquer uma delas, você já tem a informação que precisava. Um fornecedor que já fez esse tipo de projeto responde com número ou prazo, não com "depende".

1. O que exatamente não está no escopo desta proposta?

Peça que listem por escrito o que está fora: integrações com sistemas específicos, ajustes pós-homologação, manutenção em produção. Se o fornecedor não consegue listar o que não está incluído, a proposta não está bem definida.

2. Qual o custo-hora para alterações após a entrega?

Todo projeto vai ter ajustes. Saber o custo-hora antes de assinar evita surpresa quando a primeira alteração chega.

3. Como funciona o retrabalho se meu processo mudar em seis meses?

Pergunte especificamente: se eu mudar a política de desconto ou trocar de fornecedor de ERP, o que isso quebra na automação e quanto custa consertar?

4. Qual o SLA de correção de bug em produção e como é cobrado?

Um bot que para às 23h de sexta em processo crítico precisa de resposta. Saber o prazo e o custo do suporte emergencial antes de fechar é básico.

5. As licenças de software estão inclusas ou são cobradas à parte?

Se forem à parte, peça o custo mensal por "worker" ou instância e o modelo de escalabilidade se o volume crescer.

6. Qual o custo de treinamento da equipe interna para gestão de exceções?

Não aceite "o treinamento está incluído" sem especificação. Peça: quantas horas, quem participa, o que será coberto.

7. Vocês cobram para fazer o mapeamento do processo ou esperam que eu entregue o processo já mapeado?

A resposta determina quanto da fase de descoberta é responsabilidade deles e quanto é sua.


Se a proposta que você recebeu não lista por escrito o que está fora do escopo, não informa o custo de manutenção anual e não responde o que acontece quando o processo mudar em seis meses, você ainda não tem o custo real na mão. A Coffe&Code Labs faz um diagnóstico gratuito: mapeia o processo, calcula o TCO com mapeamento, licenças, manutenção e horas internas, e entrega uma proposta anotada linha a linha. Para decidir se o investimento fecha, leia também como calcular o ROI de automação antes de contratar. Para tirar isso do papel, veja nosso serviço de automação de processos para empresas.

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