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Como Reduzir a Fatura AWS Sem Equipe Técnica

Quatro recursos concentram a maior parte do desperdício em contas de PME: instâncias superdimensionadas, snapshots acumulados, storage esquecido e ambientes de teste ligados. O protocolo para identificar e cortar cada um.

Como Reduzir a Fatura AWS Sem Equipe Técnica

A reunião de fechamento mensal abriu com a mesma planilha de sempre. Só que desta vez a linha de "infraestrutura cloud" estava 34% acima do mês anterior. O negócio não cresceu nessa proporção. O time de tecnologia não lançou nenhum projeto novo. A conta simplesmente subiu, e ninguém na sala sabia explicar por quê.

Esse cenário tem nome nos relatórios de FinOps: cloud waste, documentado em 84% das organizações pesquisadas pelo Flexera. Não porque as empresas são mal geridas, mas porque cloud tem uma característica que servidores físicos nunca tiveram: você paga por tudo que está ligado, mesmo quando ninguém está usando.

Por que a conta cloud cresce mesmo quando o negócio não cresceu

Cloud não tem custo fixo real. Cada recurso provisionado gera uma linha de cobrança contínua até ser desligado manualmente. E o problema é que desligar exige intenção, enquanto provisionar é automático.

Pense no que acontece durante um projeto típico. O time de desenvolvimento sobe um ambiente de testes em março para validar uma nova funcionalidade. O projeto atrasa, o ambiente fica ligado. Em julho, o projeto foi concluído, o ambiente ficou. Ninguém percebeu. Ninguém recebeu alerta. A AWS simplesmente continuou cobrando.

O Flexera State of the Cloud Report 2025, pesquisa com mais de 750 profissionais e líderes executivos, concluiu que 84% das organizações afirmam que gerenciar gastos com cloud é o principal desafio operacional de cloud hoje.

O mesmo relatório estima que 27% do gasto total em cloud é desperdiçado, percentual que ficou estável por três anos consecutivos e voltou a subir em 2026, chegando a 29%, impulsionado pela complexidade de workloads de IA.

Em valores absolutos: a FinOps Foundation estima que foram desperdiçados US$ 225,9 bilhões em gastos desnecessários com cloud em 2024. Não é problema de empresa grande. É problema de qualquer empresa que usa cloud sem processo de revisão regular.

No Brasil, o cenário é ainda mais agudo. Pesquisa da Logicalis com 123 executivos de TI brasileiros mostrou que apenas 34% das empresas têm processos de governança de custos totalmente ou parcialmente implementados. E 29% dos executivos entrevistados admitiram não ter plano estruturado de cloud, tendo feito apenas migrações pontuais de algumas aplicações.

Trocar de provedor sem limpar a casa: por que o problema segue com você

Quando a fatura da AWS chega alta por três meses seguidos, a reação mais comum de quem não tem equipe técnica dedicada é concluir que a AWS é cara e cogitar migrar para GCP ou Azure.

O raciocínio parece lógico. Mas ignora um fato técnico que a IBM, a AWS e o Google documentam explicitamente em seus guias de migração: migração lift-and-shift replica as mesmas ineficiências no novo ambiente.

Lift-and-shift significa mover a infraestrutura para outro provedor sem redesenhar a arquitetura. Um servidor que roda a 12% de utilização de CPU no ambiente atual vira uma instância igualmente superdimensionada no novo provedor. O gasto muda de linha no cartão de crédito, mas o desperdício fica.

A pesquisa da Logicalis confirma isso na prática: 29% das empresas brasileiras fizeram migrações pontuais sem estratégia de governança. São exatamente essas empresas que trocam de provedor esperando economizar e chegam ao terceiro mês com a conta parecida com a anterior.

Antes de qualquer decisão de migração, a pergunta certa não é "qual provedor é mais barato". A pergunta certa é "por que estou gastando o que estou gastando". A resposta quase sempre está dentro da própria conta, visível no Cost Explorer da AWS ou no Billing da GCP, sem precisar de nenhum conhecimento técnico para interpretar.

Os 4 recursos que mais desperdiçam dinheiro em contas de PME

Em contas de PME que nunca passaram por revisão, quatro recursos concentram a maior parte do desperdício. Não por acidente, por como cloud funciona.

Instâncias superdimensionadas. Quando um servidor é provisionado, alguém escolhe o tamanho pensando no pico de demanda. O servidor foi dimensionado para o dia de Black Friday. Nos outros 364 dias, você paga pelo Black Friday mesmo assim.

O AWS Trusted Advisor sinaliza automaticamente como ociosa qualquer instância EC2 com utilização média de CPU abaixo de 10% e I/O de rede abaixo de 5 MB nos últimos 14 dias. Esse critério é usado pela própria AWS, e você pode aplicá-lo sem saber o que é EC2: se o recurso ficou sem tráfego por 14 dias, pode ser desligado sem risco. Dados do DataStackHub mostram que 65% das instâncias EC2 rodam com menos de 20% de utilização de CPU em uma janela de 30 dias. A mediana de utilização fica entre 7% e 12%.

Ambientes de teste esquecidos. Todo projeto precisa de um ambiente de testes. Projetos têm data de fim. Ambientes de teste, não. Em empresas sem processo de encerramento formal, março vira outubro sem que ninguém perceba. Cada um desses ambientes tem instâncias, bancos de dados, e armazenamento sendo cobrados integralmente.

Snapshots acumulados. Snapshots são cópias de segurança de discos. São criados automaticamente por políticas de backup, por ferramentas de monitoramento, por cautela antes de uma atualização. Ninguém deleta. Ao longo de meses, esses snapshots se acumulam e viram uma linha relevante na fatura sem que ninguém tenha tomado a decisão de criar aquele custo.

Transferência de dados não mapeada. Cloud cobra pela movimentação de dados, especialmente quando os dados saem da infraestrutura do provedor. Aplicações mal configuradas que exportam dados com frequência desnecessária ou que trafegam dados entre regiões sem necessidade geram cobranças que aparecem em uma linha genérica de "data transfer" na fatura.

Como usar o Cost Explorer da AWS (ou o Billing da GCP) para encontrar o problema hoje

Este é o passo que a maioria dos posts sobre o tema pula. Listam os problemas, mas assumem que você tem um engenheiro disponível para executar. Você não precisa de engenheiro para fazer essa primeira leitura.

Na AWS, o caminho é o seguinte:

  1. Acesse console.aws.amazon.com e faça login com sua conta de administrador
  2. No menu superior, clique em "Services" e busque "Cost Explorer"
  3. Na tela inicial do Cost Explorer, clique em "Explore costs"
  4. No painel que abre, vá até "Group by" e selecione "Service"
  5. Mude o período para os últimos 3 meses
  6. Ordene os serviços por custo decrescente clicando na coluna de valor

O que você vai ver é uma lista dos serviços que mais custaram nos últimos 90 dias. Qualquer serviço que represente mais de 15% do total merece atenção. Se você não sabe para que serve aquele serviço ou se o time usa ele ativamente, é uma pergunta para fazer antes da próxima fatura chegar.

Para ir um nível mais fundo, clique no serviço com maior custo. O Cost Explorer vai detalhar os recursos dentro daquele serviço. Anote os nomes dos recursos que aparecem com custo alto e pergunte ao responsável técnico se aqueles recursos estão em uso ativo.

Na GCP, o processo equivalente é pelo Billing Console em console.cloud.google.com/billing. O caminho é: selecione a conta de cobrança, clique em "Reports", filtre por produto e ordene por custo. A lógica de análise é a mesma.

Você está identificando onde o dinheiro vai antes de decidir o que fazer com a informação.

O que fazer com ambientes de teste que ficaram ligados

Um ambiente de teste esquecido não aparece com esse nome na fatura. Ele aparece como EC2, RDS, ElastiCache, cada serviço na sua linha. Para identificar ambientes esquecidos sem abrir o terminal, use o AWS Resource Groups.

No console da AWS, busque "Resource Groups & Tag Editor". Em seguida, clique em "Tag Editor". Selecione todas as regiões disponíveis, selecione todos os tipos de recurso, e clique em "Search resources".

O resultado vai listar todos os recursos da conta. Recursos de ambientes de teste que foram criados com responsabilidade costumam ter uma tag de ambiente ou projeto. Recursos criados sem cuidado não têm tag nenhuma.

Filtre por recursos sem tag. Cada recurso sem tag é um candidato a revisão. Para cada um, a pergunta é simples: alguém da empresa sabe para que isso serve? Se a resposta for não, o recurso pode ser desligado.

Para formalizar esse processo no futuro, o critério da AWS é operacionalizável sem conhecimento técnico: qualquer recurso sem tráfego por 14 dias seguidos é candidato a desligamento. Peça ao time de TI para configurar um alerta no CloudWatch que notifique quando qualquer recurso ficar 14 dias sem acesso. Você vai receber um e-mail. Você decide o que fazer.

40% de corte sem trocar de provedor: o que os números mostram

Um case publicado pela beAnalytic mostra uma empresa brasileira do setor de delivery que reduziu 40% dos custos de cloud na área de BI e eliminou R$ 5 mil em perdas diárias causadas por instabilidades e arquitetura ineficiente de dados. A intervenção foi de engenharia de dados, sem troca de provedor. O problema não era a AWS. Era como a arquitetura havia sido montada.

O Flexera 2025 State of Cloud Report mostra que os orçamentos de cloud excedem os limites planejados em 17% em média. Isso significa que, para uma empresa que gasta R$ 30 mil por mês em cloud, o desperdício esperado está entre R$ 5 mil e R$ 9 mil mensais, só com os índices de ineficiência documentados nas pesquisas.

87% dos respondentes do mesmo relatório apontam eficiência de custos como a principal métrica usada para avaliar progresso nos objetivos de cloud, pelo sexto ano consecutivo.

Nenhum dos 4 cortes descritos aqui exige trocar de provedor ou contratar engenheiro fixo. O case da beAnalytic é um exemplo: arquitetura revisada, sem migração, 40% de redução de custo.

Quando vale chamar alguém de fora (e o que pedir exatamente)

O protocolo de diagnóstico descrito acima resolve o problema de visibilidade. Você sai da reunião mensal sabendo onde o dinheiro vai. Mas executar os cortes, redimensionar instâncias, encerrar ambientes com segurança e montar um processo de governança para que o problema não volte em seis meses, isso exige execução técnica.

O momento de chamar alguém de fora é quando o diagnóstico está feito mas a execução exige mais do que você tem internamente. Não antes disso.

Quando você chamar, peça três coisas específicas:

Um relatório de recursos ociosos com critério documentado. Não "identificamos oportunidades de otimização". Você quer saber quais recursos, com qual percentual de utilização, há quantos dias sem tráfego.

Antes de assinar qualquer coisa, pergunte: o que exatamente será desligado e quanto isso retira da fatura?

Uma proposta de governança para os próximos 90 dias. O que vai ser monitorado, qual o alerta que você vai receber, e quem é responsável por responder a esse alerta. Definir isso agora é o que impede que o problema volte em seis meses.

Se quem você está conversando não consegue responder essas três perguntas antes de assinar o contrato, continue procurando.


Se a fatura subiu e o negócio não cresceu na mesma proporção, o problema quase sempre está dentro da própria conta: instâncias esquecidas, ambientes de teste ligados, snapshots acumulando sem ninguém perceber. A Coffe&Code Labs faz o diagnóstico junto com você: abrimos o Cost Explorer, identificamos os principais focos de desperdício e entregamos um relatório com o que cortar, o que ajustar e quanto isso retira da fatura, sem precisar trocar de provedor. Veja nosso serviço de consultoria cloud para empresas ou agende o diagnóstico.

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